Enquanto
a História é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no tempo,
analisando os processos históricos, personagens e fatos para poder compreender
um determinado período histórico e cultural do mundo, ela
tem como finalidade registrar os fatos culturais, sociais, através do processo
de interpretação entender como os fatos ocorreram, fazendo um recorte da realidade.
Sem interpretação não há história, quanto mais distantes estamos da fonte primaria,
maior será o grau de comprometimento da interpretação.
Para
os gregos a história é narrativa do que passou, enquanto para o cristianismo é
detentor da memória da origem percussora da humanidade: a criação; o pecado; a
encarnação; a ressurreição; a igreja como único caminho da salvação.
No
ocidente a memória que interessa conservar é a dos mártires, dos santos, dos
papas, dos reis, dos nobres, as ordens religiosas. A herança do iluminismo
possibilitou escrever sobre o passado a partir de registros, principalmente os
escritos e os vestígios que permaneceram até os dias atuais, possibilitando
assim efetivar a busca de sentidos para a história. O homem sempre teve a
preocupação de estabelecer a “verdade sobre passado”
A religião, por sua vez, é um caminho que nos
liga a uma entidade espiritual “Deus” através das manifestações históricas,
símbolos, mitos. A expansão atlântica e a expansão do cristianismo junto com a aplicação do conceito ajudou a designar crenças e rituais dos povos
desconhecidos. Sempre ocorreu um debate entre a religião verdadeira e a falsa
religião. Portanto, não há uma definição de religião universalmente aceita, até
hoje.
A
religião, é uma atividade universal,
conhecida pela humanidade, praticada por todas as culturas desde o início dos
tempos que nos parece ter surgido do desejo de encontrar um significado e
propósito definitivos para a vida, geralmente centrado na crença e no ritual a
um ser (ou seres) sobrenatural. Também existe a exploração comercial, tendo
como símbolo o nome de religião, que nos dias de hoje é comum. Na maioria das
religiões, os devotos tentam honrar e/ou influenciar seu deus ou deuses através
de preces, sacrifícios e a sacralização de animais ou comportamento adequado.
Algumas pessoas poderiam incluir tais crenças
em uma definição moderna de religião como “qualquer coisa a qual oferecem
devoção absoluta”; contudo, tais crenças normalmente não incluem o máximo
qualquer referência a um ser (ou seres), deus (ou deuses) sobrenatural.
Portanto, é melhor descrevê-las como ideologias e não religiões, embora possam
compartilhar muitas características religiosas
Embora qualquer religião normalmente
afirme ter sido inspirada por “Deus”,
é importante lembrar que todas elas começam e se desenvolvem em situações
históricas, geográficas e culturais específicas que influenciam e moldam a
forma tomada pela religião e pelos seus seguidores.
O medo do desconhecido e a necessidade de dar sentido ao mundo que nos
cerca levaram o homem à fundar diversos sistemas de crenças, cerimônias e
cultos -- muitas vezes centrados na figura de um ente supremo que o ajudam a
compreender o significado último de sua própria natureza. Mitos, superstições
ou ritos mágicos que as sociedades primitivas teceram em torno de uma existência
sobrenatural, inatingível pela razão, equivaleram à crença num ser superior e num
desejo de comunhão com ele, nas primeiras formas de religião.
Religião (do latim religio, cognato de religare, "ligar",
"apertar", "atar", com referência a laços que unam o homem
à divindade) é como o conjunto de relações teóricas e práticas estabelecidas
entre os homens e uma potência superior, qual se rende culto individual ou
coletivo, por seu caráter divino e sagrado. Assim, religião constitui um corpo
organizado de crenças que ultrapassam a realidade da ordem natural e tem por
objeto o sagrado ou sobrenatural, sobre o qual elabora sentimentos, pensamentos
e ações.
As formulações das academias européias e americanas seriam a história
das religiões e o debate sobre o objeto e o método. A história da religião pode
ser entendida como ciência da religião. É um debate sobre a categoria analítica
de religião, é uma inserção na história cultural, que da sentido, às religiões centralizadas na América. Em especial ao
cristianismo impostos aos ameríndios, negando assim a religiosidade deles,
desqualificando suas crenças e suas tradições. Os missionários não respeitaram
essas crenças e tradições e consideravam os índios como vítimas do demônio, e
se perguntavam por que Deus não havia salvo aqueles índios.
Durante o período do século XVI até o
XXI, as crenças dos índios eram vistas como: lendas, estórias, idolatrias,
superstições, crendices ou parte do folclore, pois, acreditavam não existir
verdade nas crenças dos índios.
O
reconhecimento da igualdade dos índios no tocante a religião, pôs fim a um
período de silêncio. Para os historiadores das religiões do continente, esta
mudança de posição supõe diversos níveis de atuação e intervenção. O primeiro
seria a identificação da memória de rituais e crenças, recorrendo à localização
de registro escrito, visual e de cultura material e oral. O segundo seria o
estudo das análises da incorporação do conhecimento dessa memória
religiosa. O terceiro seria a
preservação e utilização dessa mudança na educação de crianças e adolescentes
como parte do patrimônio cultural deste continente. Já quarto seria junto como
os povos indígenas e outros setores no esforço por incorporar essa memória no
âmbito da sociedade e da política como componente imprescindível na construção
de nossa identidade continental.
Carvalho, Paula. artigo para obtenção de nota em história e religiões.